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Um Novo Desenhista, Um Novo Começo

Recomeços são bem comuns nas histórias em quadrinhos de super-heróis, sobretudo das grandes editoras como a Marvel e a DC, então, mais cedo ou mais tarde algo assim também acabaria acontecendo com o Homem-Grilo.

Mas enquanto nas grandes editoras esses recomeços são usados para arrumar os problemas gerados por uma cronologia extensa e complexa, no caso do Homem-Grilo está acontecendo por dois principais motivos; primeiro, a mudança de formato na publicação das histórias, e segundo, a mudança do desenhista oficial do personagem.

Desde o fim de 2018 venho ensaiando iniciar uma nova fase de produção dos meus quadrinhos, que eu passei a chamar de produção anticapitalista, no qual explico em mais detalhes nesta postagem do meu blog pessoal.

Mas, em resumo, este tipo de produção esta firmada em três bases; publicação dos quadrinhos digitalmente em formato pergaminho (que é melhor adaptado para leitura em celulares), licenciamento deles sob Creative Commons, e financiamento da produção dessas HQs através de financiamento coletivo recorrente.

Por se tratar de um nova forma de produzir e publicar quadrinhos, principalmente com relação ao formato, passei esses últimos tempos me adaptando a ele. Praticamente tive que aprender novamente a como fazer histórias em quadrinhos, já que eu estava acostumado ao padrão tradicional de publicação de revistas e livros. Mas agora acredito estar pronto para esse novo formato.

E para isso conto com a chegada do novo desenhista oficial do Homem-Grilo, que vem para substituir o Will (que, por sua vez, substituiu o Ricardo Marcelino, como explico neste texto).

E este novo desenhista é o Fred Hildebrand, que foi o desenhista da série Patre Primordium, escrita por Ana Recalde, e que agora está publicando sua própria série em quadrinhos, chamada Spaceshit.

Com essa nova parceria com o Fred, a minha ideia é não só produzir novas HQs no formato pergaminho aqui pro site, mas também adaptar as tiras e HQs antigas para este formato. E começamos fazendo isso pela primeira tira do Homem-Grilo, que você já pode ler aqui.

Espero que essa nossa parceria dure por muito anos para que possamos trazer a vocês incríveis e divertidas histórias em quadrinhos do Homem-Grilo, e dos demais personagens de seu universo.

P.S.: Como o Will não será mais o desenhista oficial do Homem-Grilo, o Sideralman deixará de fazer parte do universo dele. Isso não significa, porém, que eu não possa escrever novas histórias com o super-herói do Will no futuro. Mas aqui no site, a partir de agora, serão publicadas apenas HQs do Homem-Grilo e dos demais super-heróis que já faziam parte de seu universo (como o Cricket Rider, por exemplo).

Homem-Grilo em Livro Didático da Secretária de Educação do Estado de São Paulo

Descobri por acaso que o Homem-Grilo está sendo usado em um livro didático, da série Aprender Sempre, pelas escolas públicas do Estado de São Paulo durante o período de atividades não presenciais nesta pandemia.

Sempre fico feliz quando vejo meus quadrinhos sendo usado em materiais didáticos e paradidáticos, principalmente no ensino público.

E se você é um coordenador pedagógico de alguma escola ou faz parte da coordenadoria de alguma secretaria de educação e quer usar as HQs do Homem-Grilo como recurso didático, é totalmente gratuito, pois o personagem e seu universo estão sob uma licença Creative Commons.

Tirinha do Homem-Grilo em Livro Didático da Secretária de Educação do Estado de São Paulo

Homem-Grilo em Terras Lusitanas

Capa da edição lusitana do Homem-Grilo.

Agora o Homem-Grilo também está sendo publicado na terra natal dos meus bisavós Simões. A publicação em Portugal do meu personagem ficou por conta do selo editorial FA.

A capa desta edição lusitana do Homem-Grilo é uma ilustração do Will, e seu interior traz quadrinhos desenhados por Ricardo Marcelino (que criou o visual do Homem-Grilo) e por Alex Rodrigues.

Essa publicação está sendo feita através da licença Creative Commons do Homem-Grilo, que permite adaptar e redistribuir a obra original (sem precisar me pagar nada). Então se você também quer editar meus quadrinhos em seu país, basta seguir as instruções da licença.

E quem quiser ajudar na remuneração dos quadrinistas que trabalham com o Homem-Grilo, é só contribuir com nossa campanha de financiamento coletivo recorrente no Catarse.

Do ComicPress para o Toocheke

Após usar o ComicPress como o tema de WordPress do site do Homem-Grilo desde 2007, resolvi mudar para um novo chamado Toocheke. Há ainda alguns consertos a serem feitos, mas já está no ar e funcionando. Tomei essa decisão por dois motivos.

Primeiro porque o ComicsPress não tem atualizações há cerca de dois anos, e vinha dando muitos problemas com as últimas versões do WordPress. Alguns dos outros sites do Petisco, que também usam o ComicPress, estão fora do ar por causa disso.

O segundo motivo é porque o Toocheke é melhor adaptado para leitura em celulares e publicação de quadrinhos em formato de pergaminho vertical, que é o formato que estou adotando agora para minhas novas HQs (e aos poucos pretendo adaptar as antigas pra este formato também).

Então se puderem me dizer o que acharam do novo tema e do novo visual, e se ele realmente é mais prático para o celular, ficarei bastante grato por esse retorno de vocês.

P.S.: Se o Toocheke der certo no site do Homem-Grilo, pretendo também adotá-lo em Nova Hélade, e nos futuros sites de Acelera SP e Cosmogonias. E talvez até em outras séries do Petisco, caso algum colega de coletivo queria fazer a migração também.

Aniversário de 20 anos do Homem-Grilo

Ilustração de Aniversário de 20 anos do Homem-Grilo por Will.

Há exatamente 20 anos, no dia 8 de junho de 2000, era publicada na Internet a primeira tira do Homem-Grilo. A primeira publicação impressa só viria um ano mais tarde, em 2001, num fanzine reunindo as primeiras tiras (e que hoje já virou uma raridade).

Mas o Homem-Grilo foi criado no começo dos anos 90, quando eu tinha uns 11 anos de idade. Ele surgiu enquanto eu rabiscava no caderno durante alguma aula chata na escola. Sem pretensões nenhuma (muitos de vocês devem também ter um herói que criaram assim durante a infância).

Foi só no fim dos anos 90, com uns 17 anos, que coloquei na cabeça que queria ser quadrinista. Então resolvi resgatar aquele herói da infância. Como meu desenho não é tão bom, resolvi me dedicar só aos roteiros, e chamei meu amigo Ricardo Marcelino para desenhar as histórias.

O Homem-Grilo sempre foi um conjunto de contradições pra mim. A primeira delas é que quando comecei a escrever suas histórias, eu já não curtia mais tanto quadrinhos de super-heróis como na infância.

Conforme amadurecia como leitor, todo aquele maniqueísmo das histórias de super-heróis estadunidenses se tornaram simplistas demais pra mim. E a coisa foi piorando conforme amadurecia politicamente, pois o próprio conceito de herói passou a se tornar problemático.

“Infeliz a nação que precisa de heróis”. Essa frase do Brecht se tornou praticamente um mantra na minha mente, pois o ideal de sociedade que eu busco, que valorize a coletividade, a colaboração e o compartilhamento, não cabe a ideia de herói salvador que está acima dos demais.

Não bastasse tudo isso, o Homem-Grilo ainda era um super-herói construído no modelo do mercado de quadrinhos mainstream estadunidense, mas com histórias ambientadas no Brasil e publicado de forma independente e autoral. Existe personagem mais contraditório que esse?

O fato do personagem ser uma paródia me ajudou um pouco a encarar essas contradições. E com o tempo fui percebendo que essas contradições eram, na verdade, um movimento dialético em busca de uma síntese criativa.

Não que eu tenha alcançado essa síntese e resolvido as contradições, mas esse movimento dialético foi resultando numa história em quadrinhos cada vez mais antifascista no seu conteúdo e anticapitalista na sua forma.

Antifascista pois o Homem-Grilo não é um herói que se posta como salvador da pátria, acima da sociedade. Ele não luta apenas para proteger os fracos e oprimidos, mas para ajudar a fortalecê-los, e deste modo, eles mesmo possam lutar e enfrentar de forma coletiva todas as opressões, seja de classe, de raça, de gênero, etc.

E o Homem-Grilo não pensa duas vezes em socar na cara vigilantes fascistas que se vendem como heróis. =D

Anticapitalista pois não encaro os quadrinhos do Homem-Grilo como mercadorias a serem vendidas visando a acumulação de capital (até porque não sou nenhuma grande corporação editorial como a Marvel ou a DC). A ideia é valorizar mais o valor de uso cultural e artístico das HQs.

Por isso que os quadrinhos do Homem-Grilo são distribuídos gratuitamente na Internet sob uma licença livre, que permite não apenas o compartilhamento, mas também a criação de obras derivadas (inclusive para uso comercial).

Aliás, algo que me alegrou nesses 20 anos de publicação do Homem-Grilo foi ver ele sendo usado por outros criadores para os mais variados tipos de obra. Foram ilustrações, HQs, animações, graffitis, artesanatos. Só não rolou games e filmes, mas não foi por falta de propostas. =)

Devido ao reumatismo, escrever se tornou uma tarefa bem dolorosa pra mim. Mas ainda que eu não consiga produzir na velocidade de antes, enquanto eu ainda conseguir me mexer, pretendo escrever o Homem-Grilo. E quando eu não conseguir mais, conto com vocês pra continuarem por mim.