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Homem-Grilo em Terras Lusitanas

Capa da edição lusitana do Homem-Grilo.

Agora o Homem-Grilo também está sendo publicado na terra natal dos meus bisavós Simões. A publicação em Portugal do meu personagem ficou por conta do selo editorial FA.

A capa desta edição lusitana do Homem-Grilo é uma ilustração do Will, e seu interior traz quadrinhos desenhados por Ricardo Marcelino (que criou o visual do Homem-Grilo) e por Alex Rodrigues.

Essa publicação está sendo feita através da licença Creative Commons do Homem-Grilo, que permite adaptar e redistribuir a obra original (sem precisar me pagar nada). Então se você também quer editar meus quadrinhos em seu país, basta seguir as instruções da licença.

E quem quiser ajudar na remuneração dos quadrinistas que trabalham com o Homem-Grilo, é só contribuir com nossa campanha de financiamento coletivo recorrente no Catarse.

Do ComicPress para o Toocheke

Após usar o ComicPress como o tema de WordPress do site do Homem-Grilo desde 2007, resolvi mudar para um novo chamado Toocheke. Há ainda alguns consertos a serem feitos, mas já está no ar e funcionando. Tomei essa decisão por dois motivos.

Primeiro porque o ComicsPress não tem atualizações há cerca de dois anos, e vinha dando muitos problemas com as últimas versões do WordPress. Alguns dos outros sites do Petisco, que também usam o ComicPress, estão fora do ar por causa disso.

O segundo motivo é porque o Toocheke é melhor adaptado para leitura em celulares e publicação de quadrinhos em formato de pergaminho vertical, que é o formato que estou adotando agora para minhas novas HQs (e aos poucos pretendo adaptar as antigas pra este formato também).

Então se puderem me dizer o que acharam do novo tema e do novo visual, e se ele realmente é mais prático para o celular, ficarei bastante grato por esse retorno de vocês.

P.S.: Se o Toocheke der certo no site do Homem-Grilo, pretendo também adotá-lo em Nova Hélade, e nos futuros sites de Acelera SP e Cosmogonias. E talvez até em outras séries do Petisco, caso algum colega de coletivo queria fazer a migração também.

Aniversário de 20 anos do Homem-Grilo

Ilustração de Aniversário de 20 anos do Homem-Grilo por Will.

Há exatamente 20 anos, no dia 8 de junho de 2000, era publicada na Internet a primeira tira do Homem-Grilo. A primeira publicação impressa só viria um ano mais tarde, em 2001, num fanzine reunindo as primeiras tiras (e que hoje já virou uma raridade).

Mas o Homem-Grilo foi criado no começo dos anos 90, quando eu tinha uns 11 anos de idade. Ele surgiu enquanto eu rabiscava no caderno durante alguma aula chata na escola. Sem pretensões nenhuma (muitos de vocês devem também ter um herói que criaram assim durante a infância).

Foi só no fim dos anos 90, com uns 17 anos, que coloquei na cabeça que queria ser quadrinista. Então resolvi resgatar aquele herói da infância. Como meu desenho não é tão bom, resolvi me dedicar só aos roteiros, e chamei meu amigo Ricardo Marcelino para desenhar as histórias.

O Homem-Grilo sempre foi um conjunto de contradições pra mim. A primeira delas é que quando comecei a escrever suas histórias, eu já não curtia mais tanto quadrinhos de super-heróis como na infância.

Conforme amadurecia como leitor, todo aquele maniqueísmo das histórias de super-heróis estadunidenses se tornaram simplistas demais pra mim. E a coisa foi piorando conforme amadurecia politicamente, pois o próprio conceito de herói passou a se tornar problemático.

“Infeliz a nação que precisa de heróis”. Essa frase do Brecht se tornou praticamente um mantra na minha mente, pois o ideal de sociedade que eu busco, que valorize a coletividade, a colaboração e o compartilhamento, não cabe a ideia de herói salvador que está acima dos demais.

Não bastasse tudo isso, o Homem-Grilo ainda era um super-herói construído no modelo do mercado de quadrinhos mainstream estadunidense, mas com histórias ambientadas no Brasil e publicado de forma independente e autoral. Existe personagem mais contraditório que esse?

O fato do personagem ser uma paródia me ajudou um pouco a encarar essas contradições. E com o tempo fui percebendo que essas contradições eram, na verdade, um movimento dialético em busca de uma síntese criativa.

Não que eu tenha alcançado essa síntese e resolvido as contradições, mas esse movimento dialético foi resultando numa história em quadrinhos cada vez mais antifascista no seu conteúdo e anticapitalista na sua forma.

Antifascista pois o Homem-Grilo não é um herói que se posta como salvador da pátria, acima da sociedade. Ele não luta apenas para proteger os fracos e oprimidos, mas para ajudar a fortalecê-los e empoderá-los diante de todas as opressões. seja de classe, de raça, de gênero, etc.

E o Homem-Grilo não pensa duas vezes em socar na cara vigilantes fascistas que se vendem como heróis. =D

Anticapitalista pois não encaro os quadrinhos do Homem-Grilo como mercadorias a serem vendidas visando a acumulação de capital (até porque não sou nenhuma grande corporação editorial como a Marvel ou a DC). A ideia é valorizar mais o valor de uso cultural e artístico das HQs.

Por isso que os quadrinhos do Homem-Grilo são distribuídos gratuitamente na Internet sob uma licença livre, que permite não apenas o compartilhamento, mas também a criação de obras derivadas (inclusive para uso comercial).

Aliás, algo que me alegrou nesses 20 anos de publicação do Homem-Grilo foi ver ele sendo usado por outros criadores para os mais variados tipos de obra. Foram ilustrações, HQs, animações, graffitis, artesanatos. Só não rolou games e filmes, mas não foi por falta de propostas. =)

Por fim, eu não posso terminar este texto sem agradecer ao Will, que hoje é o desenhista oficial do Homem-Grilo. Pois ele não só aceitou assumir meu herói, como me permitiu assumir o herói dele, o Sideralman, quando juntamos os universos criativos de ambos num só.

Devido ao reumatismo, escrever se tornou uma tarefa bem dolorosa pra mim. Mas ainda que eu não consiga produzir na velocidade de antes, enquanto eu ainda conseguir me mexer, pretendo escrever o Homem-Grilo. E quando eu não conseguir mais, conto com vocês pra continuarem por mim.

Dia do Quadrinho Nacional

Hoje, como alguns de vocês já devem saber, é o Dia do Quadrinho Nacional, data comemorativa instituída devido a publicação da primeira história em quadrinhos no Brasil, “As Aventuras de Nhô Quim”, feita por Angelo Agostini em 1869.

O Juliano Kaapora, desenhista dos meus quadrinhos Nova Hélade e Acelera SP, fez essa ilustração para comemorar o Dia do Quadrinho Nacional e o aniversário de 20 anos do Homem-Grilo.

E aguardem que em breve eu irei postar aqui no site outras obras derivas que diversos artistas já fizeram devido a chamada coletiva que eu fiz no post Comemorando os 20 anos do Homem-Grilo com o Copyleft e a Cultura Livre.

E lembrando que você pode criar uma obra derivada do Homem-Grilo a hora que você quiser, não precisa ser para a comemoração dos 20 anos do personagem. Basta para isso seguir as recomendações da licença Creative Commons dele.

Comemorando os 20 anos do Homem-Grilo com o Copyleft e a Cultura Livre

Homem-Grilo - Tira 001

Este ano o Homem-Grilo irá completar 20 anos desde a publicação dessa primeira tira dele na Internet. Eu não preparei nada de especial para comemorar esse aniversário, mas não queria que ele passasse em branco. Por isso, gostaria de propor algo aos colegas artistas.

O Homem-Grilo, assim como seu universo, está sob uma licença Creative Commons que lhe permite compartilhar livremente as obras dele, assim como criar obras derivadas, desde que a mesma licença seja mantida. Mais detalhes sobre essa licença podem ser lidas aqui.

A minha proposta então é que para comemorar esses 20 anos do Homem-Grilo vocês utilizem a licença Creative Commons do personagem para criar suas próprias obras com ele. Vale qualquer coisa. Quadrinhos, ilustração, conto, animação, graffiti, crochê, mashup, e por aí vai.

E a licença CC do Homem-Grilo também permite o uso comercial das obras derivadas. Então vocês poderão gerar renda para vocês com as obras criadas a partir do meu personagem do modo como quiserem, sem me dever absolutamente nada.

O Homem-Grilo é muito versátil. A sua obra derivada com ele pode ser bem livre. Não precisa usar a mesma aparência. Não precisa ser super-herói. Não precisa nem mesmo ser homem, ou grilo. Você só precisa usar algum elemento que remeta ao personagem, mas a escolha é sua.

Não à toa eu nunca defini muito a origem do personagem. Ele é apenas um super-herói que ganhou seus poderes ao ser mordido por um grilo radioativo (se é que os grilos mordem). A partir daí outros autores podem adicionar suas próprias ideias, ou remodelar a minhas completamente.

Desde que adicionei o Homem-Grilo ao Creative Commons, em 2001, outros autores abraçaram a ideia, e começaram a utilizar o personagem em suas próprias obras. Mas nunca foi algo na amplitude que eu gostaria que fosse.

Por isso seria um grande presente de 20 anos de aniversário do Homem-Grilo se os colegas artistas embarcassem comigo nessa filosofia do copyleft e da cultura livre, e criassem suas próprias obras com o personagem. E aí, quem topa fazer algo?